XONE

Sim, já estamos na nova geração. Após uma longa espera o meu Xbox One chegou. Mas será que ele cumpre o prometido? Será que já atende as expectativas?

Pois é, comprei o Xbox One em seu lançamento. Na verdade fiz a pré-compra meses antes do lançamento. O motivo? Bom, primeiramente o preço. Como todos sabem, o PS4 chegou aqui a incríveis R$ 4.000,00, enquanto o XOne a R$ 2.199,00 na pré-venda e 2.299,00 após seu lançamento. Ambos são caros, mas o preço do XOne é mais acessível. Isso se deve ao fato de o console ser fabricado no Brasil, o que também facilita em questões de garantia e suporte.

Em segundo lugar (segundamente?), os jogos. O catálogo de lançamento do XOne me atraiu muito mais com Forza Motorsport 5, Ryse: Son of Rome (resenhas em breve) e Dead Rising 3, todos totalmente localizados para Português do Brasil. O único título do PS4 que eu gostaria de pôr a as mãos no momento seria Killzone Shadowfall que, gráficos a parte, nem parece ser tão legal assim.

Em terceiro lugar, a proposta da Microsoft de transformar o Xbox One em uma plataforma multimídia completa com foco na experiência e usabilidade soa de fato interessante.

Mas tudo isso foi antes de colocar as mãos nele. Agora vamos ao que interessa.

O Console

XONEImagem: Divulgação

Antes de tudo: ele é grande. E pesado. O pacote completo passa dos 5kg. Tudo, com exceção do controle, está maior. À primeira vista dá para pensar que ele irá se destacar na sua sala/quarto/escritório. Mas a verdade é que ele consegue ser robusto e discreto ao mesmo tempo. Aqui uma foto do local reservado para o meu:

Setup

O design é bem retrô, no melhor estilo “quadradão”, diferente das curvas modernas de seus antecessores, intercalando entre o clássico piano black e o regular preto fosco com pequenos detalhes cromados nos logos e na região de entrada do disco. Há três entradas USB (uma lateral e duas traseiras), uma entrada e uma saída HDMI, saída de áudio óptico, entrada para cabo ethernet, entrada do Kinect e a de força, todas na traseira do equipamento.

Não há muito o que falar. Apesar de sua aparência “rígida” o console é bem bonito por fora.

O Controle

Xone ControleImagem: Divulgação

O que já era ótimo ficou ainda melhor. O formato do novo controle é bem similar ao antigo, com pequenos aperfeiçoamentos. As pilhas/bateria agora ficam na parte interna do controle, melhorando a pegada ao deixar mais espaço livre na parte traseira. Os botões XYBA são um pouco maiores, os direcionais analógicos ficaram menos rígidos, menores e com leves ranhuras nas laterais aumentando a precisão. Os gatilhos também estão mais macios e com vibração independente. No Forza Motorsport 5 é possível sentir e saber se você está freando demais ou perdendo a tração dos pneus.

O maior aperfeiçoamento está no D-Pad, ou na famosa “cruzinha”. Temos agora quatro botões independentes, como no Dualshock. Como deveria ser desde sempre. Os botões Start e Back não possuem mais essa nomenclatura. São dois símbolos distintos que têm sua funcionalidade adequada ao jogo ou ao aplicativo.

XoneControle

A única coisa que não me agradou foram os novos LB e RB. Na nova versão, dependendo da forma que você segura o controle, torna-se um pouco desconfortável apertá-los, muitas vezes sendo necessário dobrar os dedos para realizar o ato. Neste ponto prefiro o controle antigo.

Outra novidade são pequenas luzes na parte superior do controle. Elas comunicam-se com o novo Kinect, que reconhecerá movimentos do controle, assim como quem está de posse do mesmo quando houver mais de uma pessoa no campo de visão.

O Kinect 2.0

KinectImagem: Divulgação

O Kinect, agora 2.0, está mais poderoso, de acordo com a Microsoft e os sites especializados. Não tenho muita base para afirmar o mesmo, já que não cheguei a utilizar o primeiro. Mas não duvido. Na parte de configuração é possível ver a qualidade de imagem em seus gloriosos 1080p e o campo de visão bastante amplo. Ele possui também um microfone e uma câmera infravermelho para escutá-lo, observá-lo e rastreá-lo mesmo no escuro, além de outros pequenos receptores infravermelhos dedicados à interação com o controle.

Eu não adquiri a primeira versão do Kinect pois não vi muita utilidade, assim como poucos jogos implementaram suas funcionalidades. Então deixei passar. Agora que o dispositivo está embutido no pacote (e no preço) não tive escolha. Devo dizer que me surpreendi.

Após a configuração inicial testei a leitura de QR Codes contidos nos cartões “Day One” incluídos na respectiva versão do console e dos jogos. Basta falar “Xbox, use um código” e apontar o cartão para o Kinect. Ele rapidamente lê o código e informa seu conteúdo, daí é só confirmar. Muito mais fácil que digitar diversos números e letras sem um teclado físico.

Outra coisa bastante interessante é o reconhecimento facial. Depois de configurar seu acesso à Live o XOne atrela seu rosto à ela. Ou seja, assim que você entrar no campo de visão do Kinect seu login será feito automaticamente, sem a necessidade de utilizar a interface para entrar ou trocar de contas. Caso duas pessoas cadastrem suas contas no mesmo console ele fará o reconhecimento de ambas, mas mostrará apenas os dados do primeiro a aparecer. Entretanto, se o segundo indivíduo falar “Xbox, mostre meus itens” ele automaticamente alterna para os aplicativos e jogos deste.

O reconhecimento de voz em português do Brasil também está muito bom, apesar de nem todos os comandos estarem disponíveis no momento. É muito prático abrir e alternar entre aplicativos, pesquisar conteúdo e dar comandos dentro dos jogos apenas com a voz. O jogo Ryse, por exemplo, implementa este recurso muito bem ao comandar os arqueiros de seu exército gritando “Disparar descarga!”, levando a imersão a outro nível. Algumas pessoas disseram apresentar problemas no reconhecimento dos comandos, mas comigo funciona em, digamos, 95% das tentativas.

Por outro lado, o novo Kinect não é muito flexível. Comandos mais informais como “Vá para Forza” ou “Vá para Ryse” não funcionam. É necessário falar o nome completo dos jogos e aplicativos.

A Dashboard

Xone DashImagem: Vamers

É basicamente igual à nova interface do Windows 8. Aplicativos e jogos separados por blocos coloridos.

Os mais utilizados podem ser “marcados”, como uma espécie de favoritos, e acessados facilmente. Há também a possibilidade de utilizar simultaneamente dois aplicativos distintos – ou um jogo e aplicativo, mas nunca dois jogos.

Todos os jogos devem ser instalados antes de jogar. Infelizmente não será mais possível apenas colocar o disco e partir pro abraço como antigamente. E a instalação demora MUITO, como pode ser visto neste vídeo aqui. Assim que coloquei o Forza 5 fui informado de que deveria também baixar um update de 6gb (!). Felizmente a instalação e aplicação do update ocorrem de forma simultânea e aos 15%, após mais ou menos uma hora com minha conexão fuleira, já pude abrir e jogar enquanto o resto do procedimento ocorria no plano de fundo.

Outro ponto negativo é a organização. Algumas vezes a interface mostra-se um pouco confusa, mostrando os mesmos aplicativos tanto nas “Marcações” como no “Início”. Também não há forma de ver ou gerenciar os dados contidos no disco rígido do console. Creio que isto também será implementado futuramente, já que esta falta de organização será um problema pra quem costuma adquirir muitos jogos.

Xone Dash2A loja, por outro lado, está bem simples e objetiva. Imagem: Kotaku

Agora é possível gravar vídeos das jogatinas. Ao falar “Xbox, grave este jogo” o sistema gravará os últimos 30 segundos jogados. É uma ótima ferramenta para registrar um bug engraçado ou aquele momento épico. No Ryse alguns momentos são gravados automaticamente, geralmente batalhas com chefões e outros momentos notáveis durante a campanha. Outra forma de gravar é acionando o aplicativo DVR (Digital Video Recorder) enquanto joga. Este pode gravar até 5 minutos. Ainda não dá para transmitir as partidas ao vivo pelo Twitch, mas isto também ficará disponível mais pra frente.

Eu ainda não me adaptei por completo à nova interface. Eu gostava bastante da simplicidade no 360 e acho que, com alguns ajustes, ela seria melhor aproveitada na nova geração. Mas o pessoal da Microsoft tem sua própria visão de futuro, então vamos esperar pra ver.

Os Jogos

Games

Dentre os jogos de lançamento optei pelos exclusivos Forza Motorsport 5, Ryse: Son of Rome, Killer Stinct (grátis) e o multiplataforma Battlefield 4 (que ainda não chegou). Há mais 19 títulos disponíveis, entre eles CoD: Ghosts, Assassin’s Creed 4 e Fifa 14.

Ao passear pela loja brasileira no console vi que os títulos disponíveis são os mesmos da americana. O preço é bem salgado para uma versão digital: R$200,00 para os grandes lançamentos, o mesmo de uma mídia física. Mas, até o momento que escrevo, a mudança de região, feita facilmente nas configurações do console, também prevalece na loja. Ou seja, um Battlefield 4 digital sai por aproximadamente R$ 70 reais mais barato se comprado na americana. E as compras permanecem na sua conta mesmo retornando à região tupiniquim.

Falarei mais sobre os que tenho em mãos nos próximos posts.

E então…

…devo comprar o Xbox One agora ou não? Depende. De forma geral, eu diria que ainda não. O sistema ainda não está perfeito, não há muitos jogos disponíveis, alguns aparelhos estão apresentando problemas e o preço é um pouco alto para um console. Para o usuário comum não vale muito a pena. Eu diria que daqui a alguns meses, talvez anos, o aparelho estará mais refinado e o preço mais acessível. Até lá, dá para esperar. Há muita coisa boa no 360 e PS3 que você provavelmente ainda não jogou.

MAS se você, assim como eu, gosta de jogos, tecnologia e experimentar coisas novas, eu digo que sim. É legal testar tudo em primeira mão e ver o desenvolvimento e evolução de um produto ao longo do tempo. Os comandos de voz serão aprimorados, o sistema ficará mais prático, novos jogos serão lançados e quem adquirir agora poderá acompanhar todo o processo, além de contribuir enviando críticas e sugestões. É um risco que para nós, entusiastas, vale a pena correr.

Nota: não usei muitas imagens próprias pois AINDA não tenho equipamento de captura. Ainda :)

Marcos CostaAnáliseGamesTechXbox OneKinect,Microsoft,Xbox,Xbox One
Sim, já estamos na nova geração. Após uma longa espera o meu Xbox One chegou. Mas será que ele cumpre o prometido? Será que já atende as expectativas? Pois é, comprei o Xbox One em seu lançamento. Na verdade fiz a pré-compra meses antes do lançamento. O motivo? Bom, primeiramente...