To the Moon

Com gráficos simples, história e trilha sonora excelentes, To The Moon mostra que a aparência não é tudo nessa vida.

Há algumas semanas estava eu alternando entre olhadelas no catálogo da famosa promoção de verão da Steam e o esquecido Twitter quando, num desses relances, vi uma indicação de game em promoção. Era To The Moon, que estava praticamente de graça. Caio Corraini, do Arena Ig, afirmava que a obra possuía a melhor história que ele já havia visto em um game. Isso e o preço foram suficientes para que eu comprasse. Não vi mais nada a respeito, não procurei imagens, vídeos ou reviews. Estava a fim de experimentar uma coisa nova, então aceitei a indicação e baixei os 75 MB (!), para minha primeira surpresa.

To The Moon é um jogo independente produzido pela empresa Freebird Games. Conta a história de Dra. Eva Rosalene e Dr. Neil Watts que trabalham para a empresa Sigmund Corp. Esta é detentora de uma tecnologia de manipulação de memórias, e seus serviços são prestados a pessoas em seus últimos momentos de vida que querem realizar desejos não concretizados. Rosalene e Watts entram na mente do paciente e acessam diversas memórias, começando das mais atuais e prosseguindo para a infância. Lá eles são capazes de modificar o cenário, pessoas e diálogos que influenciarão diretamente em como o paciente recorda aquele momento. A mente então faz o resto do trabalho, criando novas memórias e experiências a partir da modificação, e o paciente realiza seu último desejo, mesmo que apenas em sua consciência.

O paciente abordado no game é Johnny Wyles e seu último desejo é ir à Lua. Entretanto, ele não sabe bem o que motiva este desejo, e isso dificulta o trabalho dos protagonistas, pois eles terão de reviver várias épocas da vida de Johnny para conseguir acessar o período de sua infância.

To the Moon2Sim, este é o jogo. Mas não se deixe levar pelas aparências.

Como você pode ver, a premissa tem um potencial gigantesco. É uma ótima ambientação, e o designer e compositor Kan Gao não desperdiça nada. O enredo se desenrola de forma intrigante, e o mistério de “ir à Lua” se torna cada vez mais complexo. O resultado: o jogador fica preso à história, querendo saber o que diabos aconteceu na vida de Johnny. Os diálogos são muito bem elaborados, seja nos momentos mais dramáticos ou nos mais cômicos. Nas horas de descontração, a intriga entre Rosalene e Watts chegaram até a me proporcionar algumas risadas. Há também diversas referências, muito bem inseridas, a ícones da cultura pop/geek/nerd, como Final Fantasy, Street Fighter, Doctor Who, entre outros.

O game foi feito no famoso RPG Maker, daí o visual tão retrô. Apesar disso, To The Moon não é um RPG, é um adventure com foco na narrativa. A jogabilidade se resume em exploração e pequenos quebra-cabeças. Ele pode não agradar à primeira vista, mas após alguns minutos você já está tão imerso no ambiente que o visual não faz mais diferença. Eu admiro a ousadia de um designer que, em meio a tanta obra com visuais excepcionais, resolve expor sua criatividade de forma tão simples. É a prova de que, quando realmente queremos alcançar um objetivo, não há obstáculos.

Além do enredo, outro ponto forte é a trilha sonora, de autoria do próprio Kan Gao juntamente com Laura Shigihara (também responsável pelas músicas de Plants vs. Zombies). As composições se encaixam perfeitamente com a história, realçando o drama e a emoção de determinados momentos.

Com um enredo original e envolvente, To The Moon proporciona entre quatro e cinco horas de mistério com leves doses de drama, suspense e até um pouco de romance e comédia. Agradará bastante a quem aprecia uma boa história e está aberto a novidades.

Título: To The Moon
Plataforma: PC
Desenvolvedor: Freebird Games
Data de Lançamento: 1 de Novembro de 2011
Nota: Recomendo!

Marcos CostaAnáliseGamesPCFreebird Games,Kan Gao,Laura Shigihara,To The Moon
Com gráficos simples, história e trilha sonora excelentes, To The Moon mostra que a aparência não é tudo nessa vida. Há algumas semanas estava eu alternando entre olhadelas no catálogo da famosa promoção de verão da Steam e o esquecido Twitter quando, num desses relances, vi uma indicação de game...