The Last of Us

O primeiro review do 1 de Life será do tão falado The Last of Us, jogo da Naughty Dog (mesma empresa responsável pelas séries Crash Bandicoot e Uncharted). E eu já adianto: é uma obra prima.

Desde o seu primeiro anúncio no Spike Video Game Awards (Oscar dos videogames) em 2011, o último trabalho da Naughty Dog vem chamando certa atenção. A empresa mostrou sua capacidade em produzir uma história madura e cativante aliada a ótimos gráficos com a série Uncharted. Por este motivo, muito se esperava deste game que misturava drama e ação em um cenário pós apocalíptico.

Como qualquer história de zumbis, uma misteriosa doença capaz de transformar seres humanos em animais ferozes e irracionais se espalha pelo mundo. A diferença é que em The Last of Us, um fungo (Cordyceps, que realmente existe no mundo animal mas, fique tranquilo, ataca apenas insetos… por enquanto) toma lugar do vírus mutante. Você toma o papel de Joel, um homem marcado – pela idade e pela luta por sobrevivência – que, ao lado de Tess, frequentemente deixa as zonas de quarentena militarizadas para contrabandear suprimentos. Numa destas “missões” você acaba tendo de transportar uma carga incomum e um pouco inconveniente: a menina Ellie.

EllieEllie. Indefesa só na aparência. (Imagem: Divulgação)

Nos primeiros minutos o jogo já mostra a que veio. Um laço emocional já é criado, te dando uma amostra do que está por vir. E esse é o ponto mais forte de The Last of Us. Com o tempo você está totalmente imerso no mundo e nas emoções do personagem principal. Você se irrita, se assusta, e perde o “controle” junto com Joel, Tess e Ellie. Em determinados locais e momentos não é possível correr, apenas andar. Há quem ache isso um saco, mas eu, particularmente, acho genial pois evidencia o drama do momento. Além disso há diversos pequenos detalhes meticulosos como flechas projetando-se para fora da mochila ao coletá-las, por exemplo. Tudo é pensado para estimular a imersão. A excelente atuação dos atores reproduzida pelos mecanismos de captura de movimentos e expressões faciais tornam a experiência mais crível ainda. Mas e a dublagem brasileira? A melhor que já vi até agora, seja em jogo ou filme. Muito bem produzidas e com ótimas atuações. Ora, há até palavrões! Entretanto um problema de dublagem muito visto em filmes ainda está presente: a desnivelação do volume – em vários momentos o som ambiente sobrepõe as vozes, deixando-as inaudíveis nos forçando a recorrer às legendas.

Apesar de ser linear, o jogo te dá oportunidade para explorar, assim como a escolha de como agir em determinadas situações. Você pode simplesmente sair como um louco atirando o que encontrar pela frente (pode… mas não deve) ou ir com calma e planejar cada investida contra os inimigos. Da mesma forma é possível também apenas passar despercebido. Os recursos são escassos, daí a importância da exploração e a necessidade de planejamento. Um bom exemplo são as facas, que podem ser utilizadas tanto para matar quanto para abrir salas trancadas e recheadas de suprimentos. Entretanto, a IA do jogo vai de encontro ao que é visto no restante da obra. Os personagens aliados às vezes não sabem para onde ir e ficam dando voltas na sua frente. Outras vezes impedem seu caminho e até ficam presos em escadas. Os inimigos são um bom desafio, mas  mais pela sua pontaria do que por outra coisa, pois em alguns momentos parecem te ignorar quando você está claramente em seu campo de visão. A impressão que fica é que a IA foi a última coisa a ser desenvolvida, quando já estavam quase esgotados de ideias e dedicação. Estraga um pouco a experiência e o distancia alguns milímetros da perfeição, mas não compromete como um todo.

lastofus(Imagem: Divulgação)

Já o visual é a cereja do bolo. Os ótimos gráficos  já tornaram-se a marca registrada da empresa em se tratando do que ainda conseguem fazer com o hardware ultrapassado da atual geração, como também pode ser visto em Uncharted 2 e 3. A trilha sonora, autoria de Gustavo Santaolalla, é um espetáculo à parte e vale a pena escutá-la até fora do jogo.

The Last of Us é um reflexo do que comprometimento, dedicação e amor (porque não?) ao trabalho podem criar. Como falei no início, a Naughty Dog conseguiu desenvolver uma obra prima do entretenimento e, para mim, a melhor experiência que já tive com um game.

Título: The Last of Us
Plataforma: PS3
Desenvolvedor: Naughty Dog
Data de Lançamento: Junho de 2013
Nota: Recomendo!

Marcos CostaAnáliseGamesPS3gustavo santaolalla,naughty dog,ps3,the last of us
O primeiro review do 1 de Life será do tão falado The Last of Us, jogo da Naughty Dog (mesma empresa responsável pelas séries Crash Bandicoot e Uncharted). E eu já adianto: é uma obra prima. Desde o seu primeiro anúncio no Spike Video Game Awards (Oscar dos videogames) em...